Moralidade, vergonha e doença: a carreira moral de homens e mulheres alcoólatras
Ano de defesa: | 2010 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4814 |
Resumo: | O estudo analisa a carreira moral de homens e mulheres alcoólatras e sua repercussão na construção das diferenças e semelhanças de gênero. Para tanto foi realizado um trabalho de campo que consistiu em entrevistas semi-estruturadas com 20 pacientes dez homens e dez mulheres em acompanhamento ambulatorial e/ou internados em um serviço público de saúde no Rio de Janeiro para o tratamento do alcoolismo, além de observações no cotidiano do setor. O conceito de carreira moral (GOFFMAN, 1996) expressa o aspecto fundamental do percurso pela instituição de tratamento no sentido da construção da identidade alcoólatra e da inscrição do alcoolismo como doença. A análise verifica que o alcoolismo é constituído pela articulação entre os planos físico e moral. O primeiro plano designa a construção da noção de alcoolismo como uma doença caracterizada pela perda do controle da vontade de beber. Já o plano moral abarca a dimensão relacional e sócio-cultural no interior da qual o alcoolismo é construído. A moral da vergonha é a vertente privilegiada de acesso à dimensão moral do alcoolismo, que de fato engloba e estrutura a sua medicalização. A vergonha é valorizada como um sentimento positivo que denota a manutenção da responsabilidade diante da desmoralização social provocada pelo uso de bebida. A fisicalização decorrente da carreira moral favorece o enraizamento das noções de alcoolismo-doença e da identidade alcoólatra ao mesmo tempo em que encobre os aspectos morais que regem a construção do alcoolismo. Desse modo, os informantes com inserção de longa data nas instituições de combate ao alcoolismo costumam apresentar maior apropriação daquelas noções se comparados àqueles com percurso de menor duração. Enquanto o plano moral ilumina a complexidade sócio-cultural do alcoolismo, a fisicalização uniformiza as diferenças sociais entre os alcoólatras. Essa questão se reflete na opinião pessoal dos entrevistados a respeito da indiferenciação entre homens e mulheres alcoólatras. Já quando avaliam o julgamento da sociedade sobre ambos, a diferença entre os gêneros é restituída através da consideração de que as mulheres são mais estigmatizadas do que os homens. Observou-se que o drama da mulher alcoólatra privilegia a tensão entre consumo alcoólico e questões do domínio privado, como a dificuldade de conciliar a maternidade ao referido consumo. De maneira mais evidente, o drama dos homens alcoólatras expressa o conflito entre consumo alcoólico e a adequação a um perfil masculino valorizado associado à ética do homem provedor. |