Manifestação do objeto direto anafórico em esfera escolar EJA: a gramática do letrado
Ano de defesa: | 2018 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Letras BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Letras |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6967 |
Resumo: | Uma das propriedades mais marcantes qu¬e distinguem o Português Brasileiro (PB) do Português Europeu (PE) é o uso dos clíticos acusativos de terceira pessoa. A partir de uma abordagem gerativista, Kato (2005) observa que a gramática nuclear do PB é acrescida por uma periferia marcada (Chomsky, 1981) que incorpora os clíticos de terceira pessoa, particularmente devido à atuação da escola, no incentivo ao uso de uma norma culta na escrita. Estudos variacionistas indicam que, no português vernacular, no que se refere à manifestação de objeto direto anafórico, diversas variantes são atestadas: (i) clítico, (ii) pronome tônico, (iii) sintagma nominal repetido e (iv) objeto nulo, sendo privilegiada esta última alternativa (Duarte, 1989; Omena 1979). Nesta dissertação, adapta-se a metodologia utilizada por Pires (2015) para a eliciação de objetos diretos anafóricos em narrat¬ivas escritas. A pesquisa foi desenvolvida com estudantes da EJA e do ensino regular, constituindo o grupo controle, no 9º. ano do ensino fundamental e no 3º. ano do ensino médio. Assume-se, assim, neste trabalho, a noção de letramento escolar (Kleiman, 1995), adotando-se a hipótese de que o processo de aprendizagem da norma culta é semelhante ao de uma segunda língua. Adicionalmente, em relação à EJA, uma recuperação ainda mais custosa do uso dos clíticos poderia refletir o tempo de afastamento desses alunos do contexto escolar e o caráter mais condensado da exposição aos conteúdos programáticos. Os resultados gerais obtidos indicam, no entanto, uma semelhança entre a EJA e o grupo controle, em termos dos percentuais de uso de cada variante e em relação ao posicionamento do clítico nas sentenças simples. A distinção entre os grupos se dá por conta da manutenção do uso do pronome lexical pela EJA, além do posicionamento do pronome clítico nas sentenças com complexo verbal, particularmente no que diz respeito à exploração das posições mediais. Em termos gerais, identifica-se a influência da língua oral nos dados coletados; não há uma consistência no uso dos clíticos, indicando que a aprendizagem de regras que comporão a periferia marcada da língua parece, efetivamente, ser semelhante ao percurso encontrado na aquisição de segunda língua. |