Sobre a História da Loucura: aspectos metodológicos e historiográficos em Michael Foucault

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Barbosa, Bruno Daemon
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/17652
Resumo: O lançamento do livro História da loucura na Era Clássica de Michel Foucault, em 1961, marca o início do reconhecimento do autor no cenário intelectual. Em sua obra, ele propõe fazer uma arqueologia do silêncio da loucura e encontrar um conjunto de evidências que permite reconhecer a formação de uma estrutura sócio-histórica de exclusão da loucura no início da Idade Moderna. Foucault destaca em sua argumentação que um decreto real de 1656 que estabeleceu a criação do Hospital Geral na França foi decisivo para definir a loucura enquanto desrazão e determinar o lugar dos loucos como o hospital. Além deste evento histórico, ele encontra em uma passagem das Meditações Metafísicas de René Descartes o gesto intelectual da razão ocidental que teria silenciado a loucura e a encarcerado na ordem racional característica da modernidade. Contudo, Foucault não apresenta uma teoria sobre a filosofia cartesiana e não aprofunda a sua interpretação sobre o modo como Descartes aborda a loucura em seu texto. Além disso, como veremos, na pesquisa histórica de Foucault é possível apontar diversas falhas empíricas e interpretativas de evidências históricas, como no caso da Nau dos Loucos e do Grande Confinamento, eventos que não teriam ocorrido. No entanto, a obra de Foucault é ampla e complexa, de modo que as críticas ao seu trabalho de historiador se mostram insuficientes para diminuir a sua relevância na história intelectual pós-2ª Guerra. De fato, o objetivo de Foucault envolve um interesse sociológico, de modo a construir uma narrativa que procura compreender, de maneira abrangente, a experiência da loucura em diferentes épocas. Na visão do autor, a Era Clássica definiria as bases da relação entre razão e loucura que fomentaram o desenvolvimento posterior da psiquiatria moderna. Contudo, essa evolução não se mostraria como um progresso científico e de iluminação dos mistérios da loucura, mas um retrocesso moral que teve como símbolo de exclusão o hospital psiquiátrico. Loucura e razão são assim partes essenciais do projeto de arqueologia do silêncio e da discussão teórica que a obra propõe. O modo como Foucault interpreta Descartes constitui um ponto chave de sua narrativa histórica e tem repercussões sobre como compreendemos a relação entre a medicina psiquiátrica e a loucura. O estudo sobre a pesquisa histórica de Foucault revela que, no campo intelectual, o debate sobre as Meditações Metafísicas de René Descartes pode dar continuidade à discussão fundamental sobre a razão e a história da loucura. No presente trabalho procuramos, portanto, apresentar alguns pontos importantes da História da Loucura, discutindo aspectos metodológicos e historiográficos, bem como expondo críticas relevantes e contra-argumentos, que mostram que se trata de uma obra sempre ainda atual.