Avaliação do manejo da gota, com foco especial no contexto da doença renal crônica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Santos, Ana Beatriz Vargas dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Faculdade de Ciências Médicas
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/8539
Resumo: A gota é uma das artropatias inflamatórias mais prevalentes entre adultos menos frequente apenas do que a osteoartrite e a doença por depósito de cristais de pirofosfato de cálcio. Caracteriza-se por crises recorrentes de artrite aguda muito dolorosa e pode cursar com depósitos macroscópicos de ácido úrico (tofos). Apesar de ter sido descrita há mais de 4000 anos, ter etiologia definida, diagnóstico relativamente fácil e tratamento disponível, a gota continua sendo tratada de forma inadequada e está associada a alta morbimortalidade e a comprometimento da qualidade de vida. Esta tese teve como objetivo geral investigar o manejo da gota, com ênfase no contexto da doença renal crônica. Os objetivos específicos foram: (i) descrever e analisar as práticas atuais do manejo da gota entre reumatologistas brasileiros (estudo 1); (ii) revisar o manejo da gota e da hiperuricemia no contexto da doença renal crônica (estudo 2), (iii) revisar a relação da hiperuricemia e da terapia hipouricemiante com desfechos renais (estudo 2), e (iv) avaliar o efeito do alopurinol sobre a função renal de indivíduos com gota (estudo 3). O estudo 1 foi um inquérito sobre o tratamento da gota em uma amostra aleatória de 309 reumatologistas no Brasil. O estudo 2 foi uma revisão narrativa sobre o manejo da gota no contexto da doença renal crônica e sobre os efeitos da hiperuricemia e da terapia hipouricemiante sobre a função renal. No estudo 3, investigamos uma coorte de 9520 adultos residentes no Reino Unido com diagnóstico recente de gota, estratificada por tempo, pareada por escore de propensão. Avaliamos os efeitos do uso incidente de alopurinol ≥300 mg/dia sobre a função renal de pacientes sem doença renal crônica. O estudo 1 revelou conhecimento insatisfatório dos reumatologistas brasileiros, sobremodo o não reconhecimento do tofo gotoso como indicação da terapia hipouricemiante, a suspensão da terapia hipouricemiante durante uma crise aguda de gota, a prescrição inicial do alopurinol em doses altas e o não reconhecimento de que a terapia hipouricemiante deve ser mantida por tempo indeterminado. No estudo 2, sintetizamos as recomendações mais atuais sobre o manejo da terapia hipouricemiante, da profilaxia anti-inflamatória e do tratamento das crises agudas de gota. Mostramos, ainda, os efeitos deletérios da hiperuricemia e os potenciais benefícios da terapia hipouricemiante sobre a função renal. Os resultados dos trabalhos incluídos nesta revisão variaram de um efeito protetor dos hipouricemiantes à não identificação de uma associação significativa, sem nenhum artigo apontando efeito deletério da terapia hipouricemiante sobre os rins. Identificamos uma heterogeneidade grande nos critérios de inclusão dos participantes, com poucos estudos avaliando exclusivamente pacientes com gota, e alguns problemas metodológicos que poderiam gerar vieses nos achados. No estudo 3 identificamos um efeito nefroprotetor do alopurinol, com uma redução de 13% no risco de desenvolver doença renal crônica estágio ≥3. Diante do desconhecimento sobre o manejo da gota, sobretudo em pacientes com comprometimento da função renal, e das evidências sobre os benefícios amplos da terapia hipouricemiante, é de grande importância que programas de educação continuada no manejo da gota sejam propostos para garantir que os pacientes recebam um tratamento mais abrangente e adequado.