A carnavalização na construção do feminino em canções de Rita Lee

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Barroso, Suerda Lino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=106228
Resumo: Analisar dialogicamente, a partir da teoria da carnavalização, a construção subversiva das identidades do feminino em canções de Rita Lee é o objetivo central desta dissertação. Para tanto, interpretaremos o processo de sentidos do ser mulher pela subversão de discursos patriarcais em quatro canções de Rita Lee, a partir das marcas carnavalizadas do heterodiscurso, teorias propostas por Mikhail Bakhtin (2010; 2015). Dessa forma, examinaremos como a linguagem carnavalesca no discurso literomusical (COSTA, 2011) da compositora em questão inverte e reconfigura subversivamente o signo ideológico mulher por meio do seu posicionamento axiológico (BAKHTIN, 2011), buscando analisar os elementos presentes da cosmovisão carnavalesca, como instrumento de luta política de resistência à cultura patriarcalista. A metodologia tem, como base, a vertente Análise Dialógica do Discurso (ADD), de caráter qualitativo pela abordagem interpretativista. Propomos uma pesquisa do tipo descritivo-exploratória com vistas a tornar os discursos hegemônicos mais explícitos e identificar as marcas carnavalizadas do heterodiscurso na produção de sentidos do ser mulher em canções, compostas e interpretadas, por Rita Lee. Para isso, elencamos um corpus que sirva como base para o estudo da linguagem como ato político de resistência e que apresente sentido e significados relevantes para a área da Linguística Aplicada, a fim de contribuir para os estudos da Teoria da Carnavalização e do ramo literomusical. Da análise feita, percebemos que, nas letras das canções compostas por Rita Lee, elementos da cosmovisão carnavalesca em que a enunciadora parodia expressões da cultura patriarcal e traça identidades do feminino, por vezes, solidarizando-se com elas; em outros momentos as refratando, para subverter certos paradigmas sociais sobre a mulher e, assim, e quebrar alianças com mulheres que ainda se deixam encaixotar em padrões tradicionais/coloniais. Dessa forma, a linguagem carnavalesca presente nas canções analisadas aparece, a partir de posicionamentos axiológicos e de oposição ideológica da autora, para inverter e reconfigurar o signo ideológico mulher pelo emprego do riso, do sarcasmo e dos insultos. Tudo isso mostra-nos como as letras dessas canções, por meio de recursos da linguagem carnavalizada, se inscreve como um ato político de resistência contra imagens prefixadas da mulher, nas quais é possível enxergar o posicionamento ideológico da autora.