Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Melo, Sylene Ruiz De Almada |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso embargado |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Estadual do Ceará
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Link de acesso: |
https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=114593
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Resumo: |
Esta tese visa à análise das relações ambivalentes presentes na Rota Verde do Café (RVC), a partir da perspectiva afirmada pelos diferentes agentes sociais que integram o campo da cafeicultura no Maciço de Baturité Ceará. Para tanto, a pesquisa considera o conceito bourdieusiano de campo, que trata dos limites de um espaço socialmente estruturado em que os agentes lutam em função da posição por eles próprios ocupada, seja para transformar, seja para conservar as fronteiras e configurações desse espaço. Além de identificar quem são os agentes externos envolvidos no processo de produção e comercialização do café no Maciço, verifica-se os princípios que regem as trocas entre tais agentes e os cafeicultores, formando uma rede invisível em suas relações, que desencadeiam a mercantilização da cultura e do espaço rural. Assim, a pesquisa tem como objetivo geral recompor as tensões e ações cooperadas que estruturam a Cadeia Produtiva do Café no Maciço, por meio de entrevistas confrontadas aos indicadores de sustentabilidade social, econômica, ambiental e cultural na agricultura familiar praticada na região. Esta pesquisa é de natureza qualitativa e confere caráter privilegiado à observação das relações sociais mediadas pela complexidade da história da cafeicultura familiar no Maciço de Baturité. Os dados foram produzidos e coletados por meio de pesquisa bibliográfica e de trabalho de campo, com entrevistas e questionários semiestruturados aplicados a diversos agentes sociais. Além das categorias nativas, o estudo articula categorias analíticas, mantendo em perspectiva, por um lado, os indicadores de sustentabilidade no contexto em que a Rota é proposta aos produtores de café do Maciço; e, por outro, a dominação simbólica que estrutura o campo em questão. No contexto socioeconômico da produção cafeeira, esta fomentou muitos valores sociais, assim como conformou economias locais, baseadas na produção e exportação dos grãos na época de ouro do café. Na esfera ambiental, o SEBRAE/CE tem subsidiado treinamentos e visitas com orientações de técnicos especializados sobre o manejo e cultivo do café sombreado (consorciado), em sistema agroflorestal biodiverso, com pouco ou sem nenhum uso de agrotóxicos, bem como realizado parcerias com entidades científicas e demais parceiros (EMATER, prefeituras locais etc.), com vistas ao avanço das pesquisas em soluções naturais para o cultivo cafeeiro. No âmbito histórico-cultural, prevalecem as ações voltadas à implantação da RVC, principalmente no que tange a formação da Associação dos Cafeicultores Ecológicos da Serra de Baturité ECOARCAFÉ, cujo intuito é a obtenção do Selo Orgânico e a Identificação Geográfica do café de sombra, o qual impõe a adoção de métodos padronizados com foco na qualificação de toda a cadeia produtiva. Esse processo conformou um olhar estetizante, adequado ao atual estágio do capitalismo verde, induzindo os cafeicultores a mercantilizar os elementos identitários de sua cultura. Essa forma de valorização dos bens culturais de natureza imaterial na região parece ocorrer sob a força da violência simbólica, ou seja, da ação imperativa que o sistema capitalista impõe à reconfiguração das estruturas sociais expostas. Também foi possível identificar assimetrias entre os discursos institucionais perpassados por questões socioeconômicas e ambientais e as perspectivas culturais dos agricultores, a exemplo das adaptações dos sítios para receber turistas da RVC. Por fim, reconhece-se nesta tese que, embora não haja um discurso disciplinar hegemônico acerca do desenvolvimento sustentável, este conceito continua atual e válido para compreender as inúmeras contradições que cruzam questões de ordem social, ambiental, econômica e cultural. Assim, as mudanças radicais pleiteadas por certos setores externos à RVC podem ocorrer a partir da relação dialética entre a experiência coletiva de confrontos locais e a conversão da consciência social em consciência ecológica. |