Mapeamento de estressores e n?veis de estresse de condenados por crimes sexuais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Moura , Pablo Borges de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontif?cia Universidade Cat?lica do Rio Grande do Sul
Escola de Ci?ncias da Sa?de e da Vida
Brasil
PUCRS
Programa de P?s-Gradua??o em Psicologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/8947
Resumo: A viol?ncia sexual ? um grave problema de sa?de p?blica no Brasil, mas muito pouco se sabe sobre a caracteriza??o psicol?gica e/ou psicopatol?gica dos indiv?duos que perpetram essa agress?o. Objetivando preencher tal lacuna produziu- se um estudo transversal, explorat?rio, quantitativo, com medidas de autorrelato. Desenvolveu-se o levantamento de dados sociodemogr?ficos, indicadores psicol?gicos e psicopatol?gicos e de exposi??o ao estresse ao longo da vida de 93 agressores sexuais encarcerados no Brasil e 30 condenados por crimes diversos. Os participantes completaram, em vers?es para adultos no portugu?s brasileiro, o Stress and Adversity Inventory (STRAIN) e o Achenbach Sistem of Empirically Based Assessment Adult Self-Report (ASEBA/ASR); quest?es sociodemogr?ficas foram extra?das por interm?dio desses dois instrumentos. Com o preenchimento pelo entrevistador, tamb?m foi utilizada a Medida Interpessoal de Psicopatia (IM-P) para fins de controle de poss?veis vieses de dissimula??o e engano. A caracteriza??o criminal foi obtida quando do levantamento da amostra a partir dos registros legais. A amostra foi dividida em tr?s grupos (n=123): agressores sexuais de menores (n=61); agressores sexuais de maiores (n=32); crimes diversos/grupo controle (n=30). Observou-se que mais de 50% da amostra pontuou em tr?s vari?veis, do total de 21, indicativas de poss?veis condutas psicop?ticas: Persevera??o, Busca por alian?a e Contato intenso do olhar. 80% da amostra t?m filhos e mais de 70% s?o considerados de baixa renda ? classes D e E. Do grupo de agressores sexuais (n=93), 11,5% (n=10) foram v?timas de abuso sexual durante a inf?ncia. Verificou-se que algumas vari?veis como idade, uso de subst?ncias, hiperatividade/impulsividade e n?mero de adversidades precoces apresentaram significativo poder de discrimina??o entre os tr?s grupos, sendo que o grupo de agressores sexuais de menores apresentou perfil diferenciado dos demais grupos. Em uma compara??o entre a amostra de encarcerados e outra da popula??o geral (n=330), identificou-se que mais de 60% dos presidi?rios possuem ensino fundamental incompleto, figurando a escolaridade como fator de prote??o [OR: 0,620 (584 ? 733)]. Pessoas com elevada escolaridade anularam as diferen?as da contagem de estressores [OR: 1,136 (0,900 ? 1,434); p<0,001]. A aus?ncia da educa??o formal, situa??o de baixa renda, bem como a viv?ncia ampliada de estressores precoces na vida dos agressores sexuais, sugere contexto de maior vulnerabilidade e car?ncia de melhor estrutura que possa suportar este caminho da forma??o educacional. Discute-se o papel do processo de escolariza??o enquanto fator de prote??o favor?vel ? consecu??o de melhores condi??es para o desenvolvimento humano. Surge como preponderante o papel da fam?lia e da sociedade enquanto institui??es estruturantes da personalidade. Por fim, destaca-se a reflex?o acerca de perspectivas de tratamento ?s v?timas e aos agressores, esses ?ltimos que tender?o a se reinserir na sociedade, bem como sobre ampliar esfor?os e pesquisas no sentido de buscar a??es preventivas na dire??o do ideal de supress?o da viol?ncia sexual.