Lixo marinho como vetor de dispersão de espécies exóticas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pereira, Igor Amauri Borges
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.repositorio.mar.mil.br/handle/ripcmb/848002
Resumo: As espécies exóticas são aquelas que foram introduzidas, de forma direta ou indireta pelas ações antrópicas, em ambientes diferentes de sua distribuição natural. Por não serem nativas, essas espécies podem causar a perda da diversidade biológica no local onde foram introduzidas, além de prejudicar a saúde humana, as atividades sociais e econômicas. Um dos vetores de introdução de espécies é o rafting (jangada), que consiste no transporte passivo de organismos em materiais flutuantes, como o lixo marinho. Quando à deriva nos oceanos, esses resíduos – plástico, madeira, isopor, borracha, metal, tecido, vidro, papel e lixo orgânico – podem, servir de substrato para fixação de diversos organismos, como briozoários, moluscos, crustáceos, hidrozoários, poliquetas, algas, entre outros. Neste estudo foi avaliada a presença de espécies exóticas na bioincrustação de resíduos coletados em seis praias da Região dos Lagos entre novembro e dezembro de 2022. O material coletado foi analisado no laboratório e as espécies foram identificadas ao menor taxonômico possível. Ao todo foram coletados 600 resíduos sólidos, dos quais 98 resíduos de plástico, metal e tecido com a presença de epibiontes. O plástico foi o material predominante, presente em 97% das amostras. Quanto aos organismos incrustantes foram registrados 163 espécimes, com destaque para o Filo Bryozoa, que foi o mais representativo. Em relação aos status das espécies, foram registradas 9 espécies nativas, 4 espécies criptogênicas, 7 espécies exóticas, sendo 5 estabelecidas e 2 invasoras (Megabalanus coccopoma e Saccostrea cf. cucullata) para o Brasil. Devido ao alto grau de degradação de alguns resíduos, não foi possível identificar todos os organismos encontrados. Os resultados indicaram que o lixo marinho pode ser um importante vetor de dispersão de espécies incrustantes, contribuindo significantemente para o transporte de espécies exóticas. A implementação de medidas mitigadoras para reduzir a quantidade de lixo presentes nas praias da Região dos Lagos mostra-se fundamental, tendo em vista o papel dos resíduos marinhos como vetores de dispersão de espécies exóticas. Tais medidas devem ser integradas a programas contínuos de Educação Ambiental, capazes de promover mudanças comportamentais e fortalecer a conscientização da população local dos visitantes. Ao limitar o aporte de substratos artificiais flutuantes no ambiente marinho, essas ações contribuem diretamente para a diminuição do processo de rafting biológico, reduzindo, assim, os riscos associados à introdução e ao estabelecimento de espécies exóticas nas regiões costeiras.