Fatores que influem na emissão de CO2 e CH4 em áreas alagáveis interfluviais do médio Rio Negro
Ano de defesa: | 2007 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
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Programa de Pós-Graduação: |
Biologia de Água Doce e Pesca Interior - BADPI
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Link de acesso: | https://repositorio.inpa.gov.br/handle/1/11471 http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4760662D9 |
Resumo: | Áreas alagadas da Amazônia são fontes significativas de gás carbônico (CO2) e de metano (CH4), importantes gases de efeito estufa. No entanto áreas alagáveis interfluviais do Rio Negro ainda não foram estudadas. Este estudo contribuiu para descrever a dinâmica hidrometeorológica e sua influência sobre a emissão de CO2 e CH4 nestas áreas a fim de melhorar as estimativas de emissão regionais. Foram feitas medidas diárias de cota e pluviosidade em três campos interfluviais e nos rios Negro e Aracá. Para dois destes campos, um permanentemente inundado (RNL) e outro sazonalmente inundado (Itu), foram feitas medidas mensais de profundidade, temperatura e de perfis de oxigenação da coluna da água e de fluxos de CO2 e de CH4 entre fevereiro de 2005 e janeiro de 2006.. Os fluxos foram medidos com câmaras terrestres quando o ambiente estava seco e com funis invertidos e câmaras flutuantes quando o ambiente estava alagado, além de serem estimados pela lei de Fick. A fim de estimar a emissão destes dois campos, modelos de inundação foram desenvolvidos com uma série temporal de imagens de radar banda C tomadas em 2004 e 2005 O terceiro campo (Aracá), que era uma savana de acesso limitado, foi amostrado apenas nos meses de julho, agosto e novembro de 2005 e a emissão difusiva de CO2 e CH4 foi calculada pela lei de Fick. Local, tipo de habitat, profundidade, variação da cota, temperatura e do oxigênio dissolvido na água foram relacionadas às emissões difusivas de gases dos três campos e às emissões ebulitivas dos campos RNL e Itu. A influência da presença de plantas emergentes que podem transportar metano pelo parênquima foi testada nestes dois campos com Teste T de Student pareado. Os três campos eram rasos e apresentaram profundidade máxima de 1,8 m. As maiores precipitações ocorreram em maio e as menores em outubro em todos os campos. A cota dos três campos foi influenciada pela precipitação diária e também variou sazonalmente com a cota dos rios mais próximos. A área total do campo RNL foi calculada em 1685 km2 e a do campo Itu em 1295 km2, ambos com inundação anual média de suas áreas de 52%. O oxigênio dissolvido na água diminuiu com a profundidade, mas não houve formação de hipolímnio anóxico. A emissão média de CO2 por ebulição foi de 11(±11) mg CO2 m-2 d-1. A emissão difusiva média de CO2 foi de 7729 (±5198) mg CO2 m-2 d-1 e foi maior no campo RNL e, dentro de cada campo, aumentou com o aumento da densidade da vegetação. A emissão ebulitiva de CH4 foi maior no campo RNL e era maior quando a cota dos campos estava caindo. Houve emissão média de 26 mg CH4 m-2d-1 por difusão em ambientes alagados e consumo médio de 5 mg CH4 m-2d-1 em ambientes secos. No campo Itu, onde as raízes das plantas eram totalmente implantadas no solo, houve maior emissão de CH4 na presença de plantas emergentes (teste T pareado: n = 38; p = 0,0134), com um transporte médio de 7 mg CH4 m-2 d-1 através do parênquima. As emissões difusiva e ebulitiva de CO2 e de CH4 foram maiores quando havia menos oxigênio dissolvido na água (p < 0,05). A integração espaço-temporal dos dados mostrou que os campos emitiram mais gases em maio, quando havia uma maior área alagada. Estimou-se uma emissão total das campinas da Amazônia Legal de 56 Tg C ano-1 de CO2 e de 1,5 Tg C ano-1 de CH4. A emissão total anual de metano por unidade de área foi menor que nas planícies aluviais. O campo permanentemente inundado emitiu 15 Mg C km-2 ano-1 e o campo sazonalmente inundado emitiu 4,1 Mg C km-2ano-1de CH4. Estes resultados demonstraram que é necessário rever as estimativas pretéritas de emissão de metano feitas para toda a Amazônia a fim de corrigir a superestimação causada pela extrapolação de dados de emissão das planícies aluviais para as áreas interfluviais. |