Processos educativos emergentes da relação médico-paciente sobre DST e a autopercepção de risco entre gestantes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Fonseca, Tania Maria Morais Vieira da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.furg.br/handle/1/9584
Resumo: Os problemas relacionados à saúde não estão dissociados daqueles vinculados à Educação, devendo os processos educativos preventivos ser engendrados em sua complexidade, articulando Educação e Saúde, imbricados aos movimentos e situações de risco que envolvem o individual e o coletivo. As aprendizagens decorrentes da relação entre paciente e profissional da saúde podem ser classificadas como Educação não formal,configurando aprendizagens que ocorrem via processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações coletivos cotidianos, sem conteúdo demarcado.Portanto, este trabalho investigativo foi um passo inicial importante no que diz respeito aos processos educativos que emergem da relação profissional da saúde e paciente gestante. Os objetivos norteadores deste estudo foram: compreender os processos educativos emergentes da relação médico(a)-paciente sobre a doença sexualmente transmitida (DST) e a autopercepção de risco entre gestantes que utilizam o Sistema Único de Saúde para a realização de acompanhamento pré-natal. Assim, foram analisadas as compreensões das gestantes sobre os processos educativos acerca das DST, considerando os profissionais da saúde como educadores durante a realização do pré-natal. Para tanto, foram utilizadas as abordagens qualitativa e quantitativa na pesquisa, tendo em vista que um mesmo fenômeno pode ser compreendido por diferentes ângulos. A etapa quantitativa foi denominada de Estudo Perinatal, e a etapa qualitativa de Estudo dos Processos Educativos no Período Gestacional Sob a Ótica das Gestantes e dos Profissionais da Saúde. Cada etapa originou um artigo, que constituem o corpo da tese, a saber: “Corrimento Vaginal Patológico entre Gestantes: Padrão de Ocorrência e de Associação em um Estudo de Base Populacional no Extremo Sul do Brasil” e “Educação em Saúde: Processos Educativos Emergentes da Relação entre Profissionais da Saúde e Gestantes sobre Doença Sexualmente Transmitida”. A etapa quantitativa permitiu demonstrar a relevância do tema DST e gestação. Foi realizado estudo transversal por meio de instrumento padronizado aplicado a todas as mulheres que tiveram seus partos realizados em uma das duas maternidades do município do Rio Grande, RS, durante o ano de 2010. Buscou-se informações junto às mães sobre características demográficas, reprodutivas, assistência recebida durante a gestação e o parto, e intercorrências gestacionais, incluindo a ocorrência de corrimento vaginal referido com características patológicas. A partir dos resultados desta etapa, constatamos que um percentual significativo de gestantes é acometido de sintomas associados à DST, já que, dentre as 2.395 gestantes estudadas, 43% referiram corrimento vaginal no período gestacional. O sintoma corrimento vaginal mostrou-se associado de forma significativa com depressão, anemia gestacional, ameaça de parto prematuro e infecção urinária. A etapa qualitativa nos permitiu vislumbrar como os processos educativos sobre DST são desenvolvidos durante o acompanhamento pré-natal. Para tanto, foram analisados os discursos de profissionais da área da saúde e gestantes, utilizando-se como metodologia a Análise Textual Discursiva, da qual emergiram as seguintes categorias de análise: cuidado com o corpo; informação sobre DST; maior vulnerabilidade à DST na gestação. A análise demonstrou discrepância entre os discursos no que tange à obtenção de informação sobre DST, o que remete à necessidade de processos educativos mais significativos na relação profissional da saúde e paciente sobre esta temática a fim de diminuir os agravos causados pela DST durante a gestação. Assim, considera-se que os processos educativos emergentes da relação médico(a)-paciente sobre a doença sexualmente transmitida (DST)ainda são incipientes. Os resultados da pesquisa mostram que os profissionais demonstram conhecer o tema e sabem dos riscos para a evolução da gestação. Contudo, os relatos das gestantes se contrapõem a essa afirmativa, quando indicam que esses saberes não são construídos durante a consulta pré-natal. Mesmo sendo a consulta de pré-natal um oportuno momento de fazer diagnóstico, de orientar e construir conhecimentos sobre formas de transmissão, tratamento, prevenção e consequências das DST para a gestante e seu bebê, o tema não é abordado.