From philanthropy to private social investment: trajectory and practice

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Holanda, Bruna de Morais
Orientador(a): Alves, Mário Aquino
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/10438/36664
Resumo: Esta tese tem como objetivo compreender o processo de institucionalização do campo filantrópico brasileiro, abordando duas questões centrais: Como o campo filantrópico brasileiro se institucionalizou? Como o conceito de filantropia evoluiu dos seus modelos formativos para as práticas e interpretações atuais no Brasil? A pesquisa situa-se em um contexto em que a sociedade civil—particularmente o Investimento Social Privado (ISP), ou filantropia—tem desempenhado um papel cada vez mais significativo na resolução de questões de interesse público no Brasil. Apesar dessa crescente relevância, o ISP permanece pouco explorado e mal compreendido tanto no âmbito nacional quanto internacional. Para abordar essa lacuna, o estudo realiza uma análise histórica longitudinal da filantropia brasileira, traçando paralelos entre a evolução da filantropia americana—que serve como base para as práticas filantrópicas contemporâneas—e o desenvolvimento do campo filantrópico brasileiro. Enfatiza-se a influência crítica de duas grandes organizações, a Fundação Ford e a Fundação W. K. Kellogg, no contexto brasileiro. Os principais atores estruturantes do campo filantrópico brasileiro, como o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e o Instituto Ethos, são examinados em detalhe. A tese adota uma abordagem teórico-metodológica crítico-realista, utilizando as teorias de lógicas institucionais e trabalho institucional dos estudos organizacionais. Metodologicamente, empregam-se técnicas qualitativas baseadas em estratégias históricas e narrativas, orientadas por uma abordagem de dualismo analítico. Com base nesses fundamentos, propõe-se um novo referencial teórico-metodológico. Os resultados desta pesquisa oferecem contribuições teóricas, metodológicas e empíricas. Propõe-se que a filantropia seja compreendida não apenas como um conceito, mas por meio de múltiplos níveis de análise nos estudos organizacionais: como uma instituição no nível macro, como uma lógica de campo no nível meso e como um conjunto de práticas no nível micro. Os achados revelam que o campo filantrópico brasileiro é predominantemente moldado pelas macro lógicas de mercado, profissional e corporativa. Além disso, o estudo teoriza a existência de uma nova lógica institucional da globalização, caracterizada pela homogeneização de normas, regras, crenças e práticas entre regiões, sustentada por uma metáfora centro-periferia. No entanto, a pesquisa demonstra que a globalização exerce uma influência condicionante, e não determinista. As práticas filantrópicas brasileiras, embora informadas por suas fundações financiadoras americanas, não as refletem perfeitamente. Em vez disso, os atores filantrópicos brasileiros realizam um trabalho institucional moldado pelos contextos históricos e sociais únicos do país — em particular, a evolução do capitalismo, a acumulação de riqueza e a ascensão de elites empresariais, que dominam o campo filantrópico. Essa dinâmica relacional destaca a interação entre influências externas e práticas locais na institucionalização do campo filantrópico brasileiro, influenciando de maneira recursiva a lógica de campo da filantropia.