Variáveis do teste de esforço no prognóstico da doença de Chagas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Silva, Rudson Santos da
Orientador(a): Mediano, Mauro Felippe Felix
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/60669
Resumo: A doença de Chagas (DC) é causada pelo protozoário denominado Tryponosoma cruzi. As manifestações clínicas da DC podem acontecer na fase aguda e na crônica. A fase crônica inicia se após 8 a 12 semanas da primo infecção, e se constitui em três formas clínicas bem definidas: a forma indeterminada; a forma cardíaca; e a forma digestiva. Estima-se que 20 a 30% dos infectados apresentem a forma cardíaca da doença, responsável pela maior morbimortalidade entre as formas crônicas da doença. A identificação de variáveis prognósticas obtidas no teste de exercício (TE) associadas a um risco aumentado de morte é clinicamente relevante, podendo fornecer informações adicionais no manejo de pacientes com DC. O objetivo deste estudo foi avaliar a associação das variáveis TE com mortalidade em pacientes com DC. Um total de 232 pacientes com DC foram avaliados por TE entre 1989 e 2000. Os pacientes foram acompanhados e a morte por todas as causas foi considerada como desfecho. As análises de sobrevivência foram realizadas utilizando-se curva de Kaplan-Meier e modelo de sobrevida de Cox. Houve 86 óbitos (37,1%) durante um período de seguimento mediano de 19,8 anos (IQR 25%-75% 6,9-26,5), resultando em uma taxa de incidência anual de 21,8 por 1.000 pacientes. As variáveis do TE associadas à mortalidade após ajustes foram VO2 máximo estimado (HR 0,97; IC 95% 0,95 a 0,99), aumento da resposta da pressão arterial diastólica durante o exercício (ΔDBP) (HR 1,03; IC 95% 1,01 a 1,05), taquicardia ventricular em repouso (HR 5,20; IC 95% 1,49 a 18,13), durante o exercício (HR 2,47; IC 95% 1,33 a 4,57) e durante a recuperação (HR 3,28; IC 95% 1,44 a 7,47) e extrassístoles ventriculares durante a recuperação (HR 2.04; IC 95% 1,21 a 3,44). O VO2max de 31,3 ml/kg/min foi o ponto de corte ideal para predizer o risco de morte com diferença significativa entre os grupos com ≤ 31,3 ml/kg/min e > 31,3 ml/kg/min (p = 0,001). Em conclusão, nossos resultados sugerem que variáveis TE como VO2max, arritmias e ΔPAD estiveram associadas a risco aumentado de morte em pacientes com DC, sendo o ponto de corte de VO2max de 31,3 ml/kg/min o valor de maior acurácia para a estratificação de risco na análise de sobrevivência dos pacientes com DC