Caracterização clínica, morfológica e molecular de pacientes com artrogripose múltipla congênita

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Costa, Marcela Câmara Machado
Orientador(a): Freitas, Luiz Antônio Rodrigues de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/50145
Resumo: INTRODUÇÃO: As artrogriposes múltiplas congênitas (AMC) são contraturas articulares em mais de duas articulações em diferentes áreas do corpo, observadas desde o nascimento. É um achado clínico, observado em cerca de 400 doenças distintas, a maioria de origem genética. Todas elas resultam em acinesia fetal por redução dos movimentos fetais intrauterino, com limitações articulares, que podem estar associadas a outros achados como dismorfias, fraqueza muscular, alterações cognitivas e envolvimento de outros órgãos. As doenças neuromusculares são causas frequentes de AMC. A definição etiológica é fundamental para decisão terapêutica, aconselhamento genético e prognóstico. A frequência das AMC é desconhecida no Brasil e não existem estudos demográficos para esta população em nosso meio. OBJETIVO: O presente estudo objetivou identificar a etiologia das AMC em indivíduos assistidos em serviço público especializado em doenças neuromusculares e genéticas do Hospital Universitário Professor Edgar Santos, além de levantar dados demográficos e clínicos destes pacientes. MATERIAL E MÉTODOS: Um estudo prospectivo, formado por uma amostra de conveniência de pacientes encaminhados para avaliação, onde foi elaborado um protocolo racional de investigação baseado em aspetos clínicos e exames complementares. Após preenchimento da ficha padrão, os pacientes realizaram investigação com exames complementares, tais como: dosagem de creatinofosfoquinase, eletroneuromiografia, ressonância magnética de crânio, cariótipo, biópsia muscular e estudo molecular. RESULTADOS: Durante o período de 42 meses foram avaliados 41 pacientes. 53,7% eram do sexo feminino e a média de idade na primeira avaliação foi de 8,8 anos. Cerca de 30% dos pacientes relatavam uma história familiar positiva. O número médio de articulações envolvidas foi seis (6), sendo o pé torto a alteração mais observada (85,4%). O diagnóstico etiológico foi estabelecido em 75,6% dos casos, com base no fenótipo e em exames complementares. Em quatro pacientes de três famílias distintas, o diagnóstico foi estabelecido por sequenciamento completo do exoma. Do total dos casos diagnosticados, 39% foram causados por doenças neuromusculares e do tecido conjuntivo, 24% classificados como amioplasia, em 12 % a causa foi acometimento do sistema nervoso central e em 24,4% não foi estabelecido um diagnóstico etiológico. Foram encontradas nesta casuística formas raras de AMC e variantes patogênicas ainda não descritas em genes associados a miopatias. CONCLUSÃO: O presente estudo demonstrou as principais características clínicas e morfológicas de diversas formas de AMC na população estudada. Foi capaz de estabelecer um diagnóstico etiológico na maioria dos casos com AMC, com base em dados de exame clínico, biópsia muscular, eletroneuromiografia e estudo genético.