Avaliação da Atenção em Saúde Bucal: contribuições para o controle do câncer de boca no município do Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Dias, Manoela Garcia
Orientador(a): Luiza, Vera Lucia, Figueiró, Claudia
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/30885
Resumo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade da atenção prestada aos portadores de câncer de boca (CB), no município do Rio de Janeiro, quanto às dimensões de acesso e a efetividade do cuidado prestado na atenção primária e secundária em saúde. Trata-se de uma pesquisa avaliativa de análise de estrutura, processos e resultados de uma intervenção, utilizando abordagem qualitativa e quantitativa. O objeto foi o programa ―Brasil Sorridente‖, no seu componente de prevenção e controle do CB. O estudo foi desenvolvido em quatro etapas: verificação dos dados do SISREG para descrição da casuística de CB no município do Rio de Janeiro e identificação da unidade hospitalar que mais absorve a demanda; verificação dos bancos do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para seleção da amostra de entrevistados; entrevistas com usuários, em que também foram verificadas as unidades primárias e secundárias de seu atendimento; e visitas às unidades para observação e entrevista com profissionais e gestores. O perfil dos pacientes convergiu quanto ao sexo, raça e faixa etária entre a população do INCA e do município do Rio de Janeiro, sendo a maioria constituída de homens, brancos e idosos. Quanto aos profissionais que atuam na saúde bucal, identificamos a maioria do sexo feminino, na faixa etária de 45 anos, cirurgiã-dentista, formada há até 10 anos e apenas um não possuía especialização. A maioria trabalha na unidade de 2 a 5 anos, e declarou não ter realizado cursos de pós-graduação em CB. No que diz respeito ao Acesso, encontrou-se acessibilidade geográfica com boa localização, proximidade de malha viária e de estacionamento. Evidenciou-se adequada oferta de procedimentos e profissionais, ambientes e materiais, tanto permanentes quanto de consumo, em quantidade suficiente e em condições de uso. Foram apropriadas a oportunidade dos exames de esclarecimento diagnóstico, assim como a operacionalidade do SISREG para o fluxo dos pacientes. No entanto, evidenciou-se problemas na oferta de educação continuada para atualização quanto ao CB, que alcança os cirurgiões dentistas, mas não o restante da equipe. Um aspecto importante foi a deficiência de informação clara aos usuários quanto à disponibilidade do serviço odontológico, comprometendo a porta de entrada. Todavia, uma vez ultrapassada essa barreira, encontrou-se adequada provisão de informações quanto ao fluxo na rede de atendimento. Em relação à Efetividade, foram controversos os achados quanto à oferta de educação aos pacientes sobre a saúde bucal, pois enquanto os profissionais declararam oferecê-la, os pacientes entrevistados não reconheciam tê-la recebido. No componente Resultado, constatou-se aumento da oferta de cuidado à saúde bucal, alcançando todas as fases do ciclo de vida, além de fluxo organizado na rede de atenção em saúde bucal, em que pese que dez dos 21 entrevistados tenham feito parte de seu percurso no setor privado. Os usuários se declararam satisfeitos quanto à assistência na atenção primária e secundária. Conclui-se que, apesar das falhas na educação dos usuários quanto à saúde oral e a falta de informação clara quanto à oferta de serviço, uma vez ultrapassadas as barreiras da porta de entrada, existe boa oferta de atenção primária e secundária ao CB no município do Rio de Janeiro no que tange ao acesso e efetividade do cuidado.