Ser mulher, ser moderna, ser economista doméstica: representações do feminino na Escola Superior de Ciências Domésticas (1952 a 1959)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Gonçalves, Daniele Leonor Moreira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica
Brasil
CEFET-MG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.cefetmg.br/handle/123456789/495
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo analisar a luta de representações do feminino, entre o tradicional e o moderno, presentes na educação da Escola Superior de Ciências Domésticas- ESCD, criada em 1952, na cidade de Viçosa. Situada em uma cidade interiorana de Minas Gerais, a ESCD surgiu de acordos entre os Estados Unidos e o Brasil, tendo em vista formar jovens mulheres para atuarem como extensionistas, junto às comunidades rurais, orientando o público feminino para uma administração mais científica e racional do lar. Os princípios e práticas da racionalização dos saberes domésticos norte-americanos chegaram até o Brasil em um contexto de pós-guerra, onde, após a Segunda Grande Guerra, ocorreu uma forte disputa entre as nações capitalistas e socialistas pela soberania mundial. Chefiando o bloco capitalista, os Estados Unidos intensificaram seu imperialismo por toda a América Latina por meio de acordos e políticas econômicas. Nesse interim, a Home Economics, programa norte-americano para expandir os saberes e hábitos do universo doméstico, tornou-se estratégica para a atuação do projeto civilizatório dos Estados Unidos junto à população feminina dos países ditos subdesenvolvidos. No Brasil, o projeto civilizatório norte-americano veio ao encontro da demanda por maior escolarização feminina. Desde os anos da guerra, as transformações econômicas ampliaram as possibilidades do trabalho feminino, assim como as transformações culturais abriram espaço para maior demanda e aumento do nível escolar das mulheres. Da confluência entre o projeto civilizatório norte-americano e da demanda por expansão da escolaridade e do trabalho feminino resultou na implantação da Escola Superior de Ciências Domésticas, na cidade mineira de Viçosa. E, para investigar esse processo histórico, utilizamos legislações educacionais que mencionavam a economia doméstica ao longo do século XIX e XX, a Lei Estadual Nº 242 de 1948, os currículos produzidos pela ESCD, os jornais estudantis O Bonde e A Paineira, além dos discursos dos docentes da área. Com o acervo documental acima mencionado e sob a orientação historiográfica dos conceitos de representação de Roger Chartier e gênero de Joan Scott, nossa proposta foi compreender as representações do feminino a partir da economista doméstica.