A dinâmica sociopolítica na agricultura familiar : os agricultores familiares e a representação política do Sutraf no Alto Uruguai gaúcho

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Bibliographic Details
Main Author: Seminotti, Jonas José
Publication Date: 2014
Format: Book
Language: por
Source: Repositório Institucional da UPF
Download full: https://repositorio.upf.br/handle/123456789/9995
Summary: O livro de Jonas Seminotti, ora apresentado, fruto de sua tese de doutoramento, vem ajudar a suprir a carência de estudos sobre as dinâmicas de desenvolvimento e as origens sociohistóricas de um grupo de agricultores familiares do Alto Uruguai gaúcho: os colonos. Seu trabalho parte de uma detalhada investigação sobre o processo de colonização da região de Erechim, aborda a implantação das comunidades rurais de colonos, os conflitos com os povos tradicionais da região (caboclos e índios), os primeiros momentos da agricultura da região, bem como a relativa autonomia da atividade agropecuária praticada pelos colonos nas primeiras décadas da colonização. Com esse mapa, constitui-se o cenário de evolução da agricultura e dos atores do desenvolvimento na região. Outro aspecto relevante do trabalho de Jonas diz respeito à reconstituição da formação das organizações e movimentos de pequenos agricultores em diferentes momentos históricos na região Alto Uruguai, tais como os Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR), o Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Sem Terra (MST), cooperativas, associações, entre outras. Algumas dessas organizações nascidas no Norte gaúcho, como é da lógica dos movimentos sociais, ao constituírem laços com outras organizações semelhantes dos estados do Sul e de outras regiões brasileiras, contribuíram para formar os mais importantes atores políticos do Brasil na atualidade. O livro tem como foco de análise a trajetória de formação do Novo Sindicalismo no campo. O chamado Novo Sindicalismo surge no país no início da década de 1980 no processo de formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que desde sua origem contou com um expressivo setor rural. O ponto alto do livro de Jonas é a investigação sobre as dinâmicas de desenvolvimento da agricultura familiar da região e a sua relação com o Sutraf. Para realizar essa análise o autor busca, em um primeiro momento, mapear o programa de desenvolvimento da agricultura proposto pelo sindicalismo cutista na região, suas principais ações práticas e as políticas públicas que ajudou a construir. Em um segundo momento, elabora uma tipologia de agricultores familiares da região e, com base em dados de entrevistas e de um questionário realizados em diversos municípios da região Alto Uruguai, procura analisar a diversidade de situações socioeconômicas da agricultura familiar regional, verificando o perfil social e produtivo, bem como as diferentes dinâmicas de desenvolvimento e os diversos posicionamentos políticos dos tipos de agricultores frente à direção do sindicato. Tal tipologia ajuda a compreender as diversas dinâmicas de desenvolvimento experimentadas pelos agricultores na região e as variações de suas relações com o Sutraf. Por fim, trata-se de um livro que vem em boa hora, pois aborda questões importantes sobre as dinâmicas de desenvolvimento da agricultura familiar e investiga o papel das organizações de agricultores como agente ativo na construção dessas dinâmicas. Uma reflexão instigante para ser lançada no Ano Internacional da Agricultura Familiar.

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