Estigma, percepção de doença e relacionamentos afetivo-sexuais em pessoas vivendo com HIV

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Main Author: Gonçalves, Barbarah Anselmo
Publication Date: 2025
Format: Master thesis
Language: por
Source: Repositório Institucional da UnB
Download full: http://repositorio.unb.br/handle/10482/53680
Summary: Desde seu início, em 1980, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) infectou cerca de 88,4 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a maioria (64,1%) das pessoas que vivem com HIV (PVHIV) já experienciou pelo menos uma situação de estigma ou discriminação, exclusivamente pelo fato de terem a sorologia positiva para o HIV. O objetivo desta dissertação, composta de dois artigos, foi investigar a vivência dos relacionamentos afetivo-sexuais de PVHIV, bem como a percepção de doença e do estigma relacionado ao HIV de pessoas adultas em tratamento no Distrito Federal. O primeiro artigo analisou características dos relacionamentos afetivo-sexuais de pessoas vivendo com HIV, a partir de uma revisão integrativa de literatura, com estudos empíricos publicados de 2013 a 2023, mediante estratégias de busca feitas nas bases de dados SciELO Brasil, Medline/Pubmed e Scopus. Nove estudos foram analisados, cujos conteúdos abordavam as temáticas: desafios da sexualidade nos relacionamentos; revelação do diagnóstico; sorosemelhança e sorodiferença; mulheres que vivem com HIV; e estigma. O segundo artigo, de corte transversal com delineamento misto, utilizou técnicas qualitativas e quantitativas de coleta e de análise de dados. Participaram 50 PVHIV, a maioria do sexo masculino (78%), com idades de 21 a 64 anos (M = 39,50; DP = 12,14), de cor parda (50%), com nível superior completo (24%), de orientação homossexual (52%) e com carga viral indetectável (90%). Os instrumentos utilizados foram: questionários sociodemográfico e médico-clínico, escalas com evidências de validade para a língua portuguesa sobre percepção de doença e estigma, e um roteiro de entrevista semiestruturado. Os resultados descritivos indicaram que os participantes percebiam o HIV de forma não ameaçadora (M = 19,42; DP = 12,03), mas houve diversidade na amostra; foi maior a percepção de estigma relacionado à soropositividade (M = 30,72; DP = 5,38), com correlação positiva moderada entre essas duas variáveis ( = 0,47; p ≤ 0,01, 22,1% de variância compartilhada). Medianas dos escores de percepção de doença e de estigma foram comparadas em relação a subgrupos de variáveis sociodemográficas e clínicas, pelo teste Mann-Whitney. Análises indicaram que a renda familiar diferenciou os dois grupos, com resultado significativo (U =141,000; p = 000,2): pessoas com renda de até três salários-mínimos obtiveram valores da mediana mais altos, revelando percepção mais ameaçadora da soropositividade, se comparadas aos participantes com renda mais elevada. Não houve diferença estatística significativa acerca de percepção de doença em relação às demais variáveis analisadas, nem quanto a estigma. Na análise qualitativa, com uso do software IRAMUTEQ, o corpus foi constituído de 1.050 segmentos de texto, com 956 segmentos classificados (91%), gerando cinco classes, que receberam as seguintes denominações na Classificação Hierárquica Descendente: (1) revelação do diagnóstico; (2) dificuldades de relacionamento no viver com HIV; (3) vantagens e desafios da prevenção; (4) mudanças nos relacionamentos após o diagnóstico; (5) vida antes do diagnóstico de HIV. A análise de conteúdo dos relatos contidos nas cinco classes permitiu a identificação de temas associados que foram ilustrados com trechos de falas representativas. Os resultados dos dois trabalhos da dissertação permitem concluir que o HIV repercute na vivência de relacionamentos afetivo-sexuais de PVHIV, tanto no que se refere à conjugalidade, quanto em relacionamentos não estáveis. A sexualidade é uma das dimensões da vida mais afetadas pela condição, principalmente porque a via sexual é a categoria de transmissão prevalente do vírus. As PVHIV apontam desejo de viver relacionamentos ou relações apesar do diagnóstico, mas sua revelação é vivenciada com tensão e preocupação. Há priorização de estratégias preventivas para garantir maior segurança nos relacionamentos, além de uma ressignificação do sentido da vida, investindo em outras áreas, como o autocuidado. Ademais, percebe-se a compreensão do HIV como uma condição crônica e não uma doença letal.

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