Técnicas de estragar os outros : sobre a ética xamânica na fronteira Brasil-Guiana

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Main Author: Oliveira, Alessandro Roberto de
Publication Date: 2018
Format: Article
Language: por
Source: Repositório Institucional da UnB
Download full: http://repositorio.unb.br/handle/10482/33496
http://dx.doi.org/10.1590/s0104-71832018000200003
Summary: Este artigo apresenta uma análise etnográfica sobre xamanismo no contexto pluriétnico do maciço guianense ocidental. Aborda particularmente sua modalidade agressiva que é definida regionalmente como ataque kanaimé. O universo sociocultural que caracteriza esse tipo de ação xamânica apresenta elementos de uma cosmo-ontologia que desafia a racionalidade ocidental, configurando modos de relação entre pessoas e plantas que colocam em jogo saberes específicos e práticas rituais. As reconfigurações contemporâneas dessas práticas xamânicas indicam o caráter aberto, a força e a heterogeneidade desse modo de conhecimento. A partir dos diferentes papéis exercidos por esses especialistas, o objetivo é trazer as reflexões indígenas sobre a ética do xamã na produção de malefícios e curas. O argumento é que esse universo xamânico leva a noção de fronteira ao plano da comunicação interespecífica, reverberando interrogações sobre o estatuto do humano.
Description
Summary:Este artigo apresenta uma análise etnográfica sobre xamanismo no contexto pluriétnico do maciço guianense ocidental. Aborda particularmente sua modalidade agressiva que é definida regionalmente como ataque kanaimé. O universo sociocultural que caracteriza esse tipo de ação xamânica apresenta elementos de uma cosmo-ontologia que desafia a racionalidade ocidental, configurando modos de relação entre pessoas e plantas que colocam em jogo saberes específicos e práticas rituais. As reconfigurações contemporâneas dessas práticas xamânicas indicam o caráter aberto, a força e a heterogeneidade desse modo de conhecimento. A partir dos diferentes papéis exercidos por esses especialistas, o objetivo é trazer as reflexões indígenas sobre a ética do xamã na produção de malefícios e curas. O argumento é que esse universo xamânico leva a noção de fronteira ao plano da comunicação interespecífica, reverberando interrogações sobre o estatuto do humano.