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Os "nós"do antropoceno entre tecidos da saúde mental : uma autoetnografia por olhares clínicos decoloniais

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Bibliografiske detaljer
Hovedforfatter: Medeiros, Larissa Noca de
Publication Date: 2025
Format: Master thesis
Sprog: por
Source: Repositório Institucional da UnB
Download full: http://repositorio.unb.br/handle/10482/53692
Summary: Os crescentes eventos climáticos extremos e as perdas massivas em biodiversidade evidenciam os impactos antropogênicos cumulativos sobre a Terra. Uma emergência ecológico-climática resultante de extrativismos predatórios com consequências já irreversíveis, demarcando uma nova época geológica intitulada como “Antropoceno”. No entanto, o comportamento destrutivo vinculado ao “ánthropos” necessita ser revisto. A palavra “humano” exclui pluralidades historicamente apagadas por um exemplar colonialista que se impôs como representante universal da espécie. Fundamentado em premissas altericidas, metastaseou-se por todos os continentes, aniquilando povos e ecossistemas, criando desigualdades sociais e alterações ambientais crônicas que se refletem na saúde desde o nível individual ao planetário. Diante das experiências de vidas e futuros em devastação, profissionais da saúde mental são interpelados pelo desafio emergente de acolher pessoas em sofrimento psíquico frente ao colapso ambiental evidenciado. As chamadas “emoções ecológicas” incluem condições como ansiedade climática e luto ecológico, cuja abordagem pode ser ampliada interseccionalmente considerando fatores socioambientais herdados das origens coloniais. A partir do meu relato autoetnográfico de mulher latinoamericana do nordeste brasileiro, médica atuante na saúde mental e em luto ecológico, apresentarei alguns “nós” que a colonialidade entremeou nos tecidos da saúde, abrangendo suas dimensões “mental” e “planetária”, à luz das perspectivas da Ecologia Decolonial. Como resposta-elaboração do meu luto, proponho a integração de conhecimentos sobre a importância das parcerias ecológicas para a saúde, ilustrada pelas biodiversidades de microrganismos que compõem nossos corpos holobiontes. Uma “simbi-ótica” que resgata saberes cosmológicos ancestrais, enaltecendo as interdependências do pertencimento biosférico e os compartilhamentos como estratégias de existência (e resistência).